Eu sou daquelas que acredita que as mulheres ainda estão em desvantagem em relação aos homens em muitas áreas da vida. Não só pelas estatísticas, que provam que profissionalmente ainda ganhamos menos, mesmo quando estamos no mesmo cargo. Mas também pela “pesquisa de campo” , digamos assim, com que o mundo materno me brinda, e no qual a ajuda deles sempre arranca suspiros de admiração, enquanto para nós é sempre mera obrigação.
Quem é que já viu um pai faltar ao trabalho porque o filho está doente? Pelo que eu vejo, a tendência é a responsabilidade recair sobre a mãe. Afinal, segundo as pesquisas ela ganha menos mesmo...se perder o emprego a recolocação é mais fácil! Fora, que é socialmente mais aceito, né? Mas também, vamos admitir que não deve ser fácil pra eles assumirem o papel de pai mais presente, se ocupando de tarefas até então "femininas". Acho que eles estão vivenciando os mesmos obstáculos de se lançar num terreno desconhecido, que as mulheres experimentaram quando resolveram entrar de vez no mercado de trabalho. Tem preconceito. Tem medo. Tem insegurança. Tem piada. Tem culpa. Mas também tem satisfação. Tem sensação de pertencimento. Tem prazer. Tem completude. Tem realização.
E essa semana eu vi indícios do que acredito ser uma nova realidade paterna. Uma paternidade ativa. E me surpreendi horrores. Me deu um orgulho assim...maternal!
Aconteceu o seguinte:
Fui procurar dois executivos de uma multinacional para darem entrevistas para uma emissora de TV. Um deles, diretor renomado, não podia, pois a mulher estava doente e ele tinha que ficar com ela e com as filhas! Pasmei! Pode repetir, pois não entendi!? Era isso mesmo: NÃO PODIA, POIS IRIA FICAR COM A FAMÍLIA! Quase chorei de emoção ao ouvir uma frase assim, tão feminina, e que normalmente soa como ofensa no mercado corporativo. Ok, aproveite, era o que tinha vontade de dizer! E melhoras pra sua esposa.
Vamos, então, ao executivo 2! Esse, um gerente atribulado, que sempre topa todas e certamente aceitaria o meu pedido. E, sim, aceitaria, não fosse um detalhe: a filha, uma jovem entrando na faculdade. Eles são do interior e ela está morando em São Paulo faz pouco tempo, então precisava do pai pra levá-la para sei lá onde. E como ir com os filhos para qualquer lugar é sempre melhor do que muitas outras tarefas, incluindo dar entrevista para uma emissora de TV, lá foi ele ser feliz. Estava declinado o meu pedido profissional! Então, ok. Eu, enternecida, tive vontade de desejar boa sorte.
Enfim, como eles eram os único porta-vozes capazes de comentar o tema da entrevista em questão, não houve entrevista. Simples assim.
E pra fechar a semana, tive que solicitar a participação de um outro diretor top top para uma outra entrevista, essa por telefone. Depois de muitas ligações na caixa postal, consigo falar com ele. Pedindo mil desculpas ele diz que não pode participar essa semana, pois nasceu o segundo filho e ele precisava ajudar a esposa e ficar em casa cuidando do mais velho, que tem dois anos e dá um trabalhão. Fala se não é pra ter fé na vida? Era apenas uma entrevista por telefone, que iria durar uns 20 minutos. E ele recusou terminantemente. Não dá vontade de abraçar?
É por essas que acho que eles também começam a perceber que muitas vezes não há salário, carreira ou sucesso profissional que pague 20 minutos com a família! E consequentemente as empresas também começam a flexibilizar nas exigências. E se isso começar a acontecer em larga escala a tendência é ninguém ser visto com maus olhos profissionalmente. Nem mulheres, nem homens. Assim como a gente, eles também tem o direito de escolher viver de tudo um pouco: trabalho, filhos, casa!
Por uma vida mais equilibrada é o meu lema! Tomara que mais empresas adotem!